segunda-feira

El Loco, O Escorpião Rei







O guarda-redes chama-se José René Higuita Zapata é natural da Colômbia, nasceu no dia 28 de Agosto de 1966 em Medellín, Colômbia. Ficou conhecido como El Loco, O Escorpião Rei porque no ano de 1998, durante o jogo entre a Colômbia e a Inglaterra, um jogador inglês tentou marcar um golo, mas o guarda-redes da Colômbia fez uma defesa espectacular, nunca antes vista, os espectadores ficaram impressionadas, levantaram-se, bateram palmas com muito entusiasmo, gritaram, foi um delírio. E a esta defesa de Higuita chamaram ‘defesa escorpião’ porque ele defendeu a entrada da bola na baliza com os pés levantados atrás tal e qual como o escorpião faz.







13 - 10 - 2008 - "o jogo" - I






quinta-feira

9-10-2008

Lisboa, 09 de Outubro de 2008

Carlos,

Olá! Tudo bem? Como foi o dia na tua escola? Correu bem?


Olha, preciso de combinar um encontro contigo para te dar o teu trabalho, deve estar a fazer-te falta, não? Responde logo que possas para vermos como nos podemos encontrar por causa do meu horário que é muito cheio.
Ouvi falar que a tua mãe está doente, espero que já esteja de boa saúde, ou que já esteja melhor. E com o teu pai, está tudo bem? Na semana passada, vi o teu pai quando ia a atravessar na passadeira e ele tinha um aspecto de muita confiança, não parava de sorrir. Novidade: durante um mês vou estar sozinho porque os meus pais foram em trabalho para a Dinamarca. É engraçada a situação, por um lado, é mais difícil para mim porque tenho de fazer tudo, compras, comida, arrumar a casa, mas, por outro lado, é mais divertido porque eu posso sempre sair com os meus amigos quando quero sem ter de estar a pedir autorização. Queres aparecer um dia destes?


Não esqueças, responde-me depressa!

Um abraço do teu amigo,


André

11º ano - este ano!







Já começou a escola há 2 semanas, eu fiquei muito surpreendido porque vi muitos alunos novos, mas já estou habituado, também há 7 surdos são interessantes e eu fiquei muito feliz, porque no ano passado só havia 3 surdos no 12ºano, eu pensei que este ano ia ficar sozinho, mas não!
Há 1 surdo que eu já conhecia é o meu segundo melhor amigo.
Ele ficou muito feliz por eu estar com ele e podermos conversar.
A minha turma não é igual à do ano passado, só há uma rapariga que era do ano passado, eu gosto da minha nova turma.
Este ano é cada vez mais difícil, porque as disciplinas não são fáceis, mas preciso de fazer esforço para passar o ano.


segunda-feira

quarta-feira



Memórias das minhas férias da Páscoa 2008







Na primeira semana, fomos a Portalegre para vermos os meus avós. Antes de irmos para a casa deles ainda demos uma volta pela cidade, de que gosto muito porque é antiga e muito bonita. Já cansados, fomos para casa dos avós maternos que ficaram muito contentes por nos ver.
Nos dias seguintes, nós, os meus pais e a minha irmã, passeámos por Portalegre, admirámos as casa, apreciámos as igrejas, vimos os monumentos, as pessoas, o ambiente.
Ao 3ªdia, almoçámos em casa dos avós paternos, que também moram nesta linda terra alentejana. Depois do almoço, e antes de regressarmos a casa dos pais da minha mãe, demos mais um grande passeio pela cidade, apercebemo-nos que há poucos jovens nas ruas e que a maioria das pessoas que encontrámos já têm uma idade avançada.
Na segunda semana de férias, fomos para Armação de Pêra (Algarve) para passear e irmos para a praia e também para a piscina. Um amigo do pai emprestou-nos a casa por uns dias. Que bom! Não gastámos dinheiro com o alojamento.
Passeámos muito pelas ruas e pela praia. Não tomámos banho no mar porque estava frio, apesar de haver sol.
Umas vezes comemos no restaurante, outras vezes a minha mãe cozinhava e o pai ajudava. Nós, eu e a minha irmã, só comíamos.
Na zona onde ficámos, os prédios são novos, pena não haver mais árvores.
O prédio tinha piscina, mas estava frio para nadar, mergulhar…
Resumindo, passei uns bons momentos ,diverti-me muito durante as férias.


Agora, começou o 3º período. Tenho de estudar e trabalhar muito.




segunda-feira


A HISTÓRIA DA MINHA VIDA





Quando eu era bébé, dormia muito, pois qualquer barulho que pudesse haver, não me incomodava porque já era surdo. Os meus pais ainda não sabiam.
Quando eu tinha 6 meses, só gritava, não fazia aquele palrear normal dos bebés, mas os meus pais pensavam que era normal, pois estavam longe de imaginar o problema que se seguia.
Quando a minha mãe ficou grávida da minha irmã, eu tinha nove meses e levava- me sempre com ela.
O médico começou a estranhar de eu só gritar e disse à minha mãe para marcar uma consulta numa psicóloga em Beja.
Fui a essa consulta e a senhora disse que eu ouvia, não falava porque era preguiçoso e todas as semanas ia àquela consulta.
Andei lá um ano, mas os meus pais já estavam chateados, porque eu estava sempre na mesma.
Então a psicóloga marcou- me uma consulta de Otorrinolaringologista com um médico que era amigo dela.
Quando fomos a esse médico, ele esteve a observar-me e disse que se eu fosse surdo era pouco, marcou um exame que vim fazer a Lisboa, teve que ser feito com anestesia geral para eu não me mexer. Esse exame então acusou surdez severa à direita e profunda à esquerda.
Foi um choque muito grande para os meus pais. Depois fui encaminhado para o hospital de Santa Maria, onde fui atendido por um médico muito jovem que, quando viu os exames que a minha mãe levava, disse aos meus pais que eu não era surdo, rindo-se na cara deles e receitou-me o Maxilase e o Actifed para tomar durante 3 meses. Nesta altura, eu já tinha quase três anos.
Ao fim desses três meses, fomos a outra consulta e fomos atendidos pelo mesmo médico que voltou a dizer que eu não era surdo. Então a minha mãe, já irritada, disse ao médico que era muito bom que eu não fosse surdo, mas, infelizmente, era preciso ela gritar para eu ouvir alguma coisa.
O médico, ao ouvir a minha mãe, resolveu encaminhar-me para outro médico mais experiente e esse então explicou tudo aos meus pais e passou a receita das próteses que eu tinha que usar, pois o meu problema não tinha cirurgia possível, só mesmo as próteses podiam ajudar alguma coisa e, claro, uma equipa de apoio, incluindo terapia de fala e Língua Gestual.
Esse foi outro problema que os meus pais tiveram que enfrentar, porque viviamos em Vila Nova de Milfontes e lá não havia nada do que eu precisava. Só em Beja, mas, de Milfontes a Beja levavamos 2 horas de carro, o que era muito cansativo, e quando lá chegava já não queria fazer nada.
Então o meu pai, que era Guarda-Fiscal, pediu transferência para vir o mais rápido possível, pois eu já tinha perdido muito tempo.
Mas teve que passar para a G.N.R. para poder vir mais rapidamente.
A minha mãe não trabalhava e então não teve problema nesse campo.
Entretanto, a minha irmã teve um problema numa perna e teve que ficar internada no hospital de ortopedia, em Montemor, durante um mês, e a minha mãe teve que ficar lá com ela.
Foi mais uma dificuldade para mim. Nunca tinha ficado sem a minha mãe. A minha avó paterna foi para a minha casa tomar conta de mim, mas eu estava revoltado e, um dia, tirei uma prótese e atirei-a pela varanda de um 2º andar. A minha avó ficou muito aflita, mas, felizmente, a prótese não se estragou.
Entretando, o meu pai foi transferido para Lisboa e nós ainda ficámos em Milfontes seis meses, até o meu pai arranjar casa e organizar a vida.
Quando comecei a ter apoio tinha 4 anos depois havia outro problema: eu precisava de andar num infantário para conviver com crianças ouvintes, só que os infantários estavam cheios.
Então no infantário Pica-Pau, no Seixal, deixaram que eu fosse todos os dias 2 horas, mas a minha mãe tinha que estar comigo, pois eles não se podiam responsabilizar por mim.
De manhã, ia para o Pica-Pau e, de tarde, ia para a Cruz de Pau para o apoio, só que não havia terapia da fala e a minha mãe ia duas vezes por semana comigo a Alhos Vedros.
Aos 5 anos, entrei na pré-primária, na Escola nº2 de Paio Pires e aí já era uma Senhora que ia dar-me apoio lá.
Aos 6 anos, entrei na primária e aprendi a ler logo no primeiro ano, graças a uma professora que era exclente e que nos ensinou a ler não só a mim, mas também a todos os meus colegas ouvintes, porque nesta turma só eu é que era surdo.
Através de gestos (cada letra tinha um gesto) e, apesar destes não serem iguais aos verdadeiros gestos que eu aprendia com a rofessora de Língua Gestual, nunca fiz confusão e aprendi a ler rapidamente.
O meu horário escolar era de manhã e depois, de tarde, ia para a Cruz de Pau ter apoio, Língua Gestual e terapia da fala. Nesta altura, já havia terapia da fala na Cruz de Pau.
Aos 7 anos, fiz o 2ºano também em Paio Pires e aos 8 passei para a escola nº1 dos Foros de Amora, pois o apoio foi introduzido naquela escola.
Abalava de casa às 7 horas da manhã no autocarro da câmara, entrava às 8 horas na escola na turma de crianças ouvintes e saía às 13 horas. Depois ia para A.T.L., que era nessa mesma escola. Almoçava e ia para o apoio toda a tarde até às 18 horas. Depois o autocarro ia-me buscar e chegava a casa às 19 horas. Era muito cansativo, tomava banho, jantava e ia para a cama, quase não tinha tempo para estar com a minha irmã e com os meus pais.
No 4ºano foi a mesma coisa. Perdi o ano e voltei a repeti-lo.
Quando vim para a escola 2,3 da Cruz de Pau, já fiquei com mais tempo livre. E, nesses tempos livres, a minha mãe ajuda-me muito, pois ela nunca trabalhou para me dar toda a assistência que eu tenho precisado. Agora é que anda a trabalhar, porque eu já sou grande, apesar de precisar ainda muito da ajuda dela como, por exemplo, para fazer este trabalho e os trabalhos de casa.
No Verão, estava triste porque já tinha acabado o 9ºano, na Escola Básica 2,3 da Cruz de Pau, e ia começar uma nova etapa de vida, mais longe de casa, num ambiente desconhecido.
Em Setembro mudei para outra escola, esta escola chama-se "Escola Artística António Arroio" e é em Lisboa. A escola é maior do que outra escola, tem um intérprete para eu perceber as coisas dos trabalhos. Mas não tenho intérprete a todas as disciplinas, só inglês, filosofia, história e projecto. Tenho mais dificuldade na disciplina de história porque as perguntas são muito complicadas e a professora fala muito, eu fico confuso. Eu gosto mais da disciplina de inglês porque na aula corre tudo bem, depois aprendo uma língua estrangeira e é bom para um futuro trabalho porque o inglês é a língua mais falada em todo o mundo. Eu gosto da escola, mas é um pouco cansativo porque levanto-me às 6:30h, depois apanho muitos transportes, o autocarro, o barco e o metro. Na verdade, tem aspectos positivos, vejo muitos pessoas, o barco quase sempre cheio, o rio, a ponte, casas, o trânsito... observo, aprendo... cresço!
É assim a história da minha vida que, apesar de não ser muito longa, já tem muito que contar.
Mas, apesar de tudo isto, tenho sido muito feliz.
André Muralhas